IMPA ajuda TSE a garantir segurança sanitária nas eleições de 2020

A realização das eleições de 2020 em meio à crise de saúde causada pela pandemia COVID19 foi um grande desafio para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A questão da aglomeração nos locais de votação foi um dos principais desafios. O IMPA foi solicitado a fornecer conselhos sobre uma possível prorrogação do horário de votação. Juntamente com colegas da USP, Fiocruz e Insper, analisamos dados sobre os horários de votação dos eleitores de todo o Brasil. Nossa análise apoiou a ideia de que começar a votar uma hora antes teria efeitos benéficos para a população.

Garantir a segurança sanitária durante os dias de votação das eleições municipais de 2020, previstas para 15 e 29 de novembro, também é tarefa matemática. Os pesquisadores do IMPA Roberto Imbuzeiro e Paulo Orenstein trabalham junto ao setor de estatística do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um projeto que busca definir horários para as votações, tentando minimizar a propagação do novo coronavírus entre mesários e eleitores.

O projeto conta ainda com pesquisadores do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Durante a primeira etapa, que começou na segunda-feira (3), os pesquisadores vão avaliar e aprimorar as simulações de cenários que foram feitas pelo grupo de estatística do TSE.

Dentre as medidas estudadas estão a possibilidade de estender o horário de votação em pelo menos uma hora e a recomendação de que as primeiras três horas de pleito, de 8h às 11h, sejam reservadas para pessoas com mais de 60 anos, consideradas grupo de risco para a Covid-19.

Eles trabalham com uma base de dados do TSE que reúne informações de todas as urnas eletrônicas do Brasil de todas as eleições. O eleitor não é identificado, mas é possível saber quanto tempo cada pessoa demora em média para votar, o tempo que cada um leva para o registro antes de votar e a média de tempo que cada urna fica ociosa.

“O eleitor é soberano, então não é possível determinar que cada grupo vote em um horário. O máximo que se pode fazer são recomendações.” Além disso, cada município e zona eleitoral tem suas particularidades demográficas. O pesquisador do IMPA cita como exemplo algumas seções na Bahia que têm 90% de eleitores acima dos 60 anos. “Nestes casos, não adianta tentar estimular que a população idosa vote em horários separados.”

Após a primeira etapa, o TSE deve abrir oportunidade para que o grupo de pesquisadores comece a desenvolver um método novo, que vai analisar mais profundamente através da modelagem, da estatística e da probabilidade as tendências de comportamento dos eleitores durante as votações.